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riscos_e_rabiscos

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Serão em família.

Enquanto o meu pai e o N. assistem a uma derrota ridícula do Benfica (e dizem asneiras e dão bitaites), o Pimetinha dorme e eu entretenho-me a pintar as unhas com manicure francesa. E enquanto o verniz seca, aproveito para escrevinhar aqui qualquer coisa.

 

Fiz um lanche ajantarado para o pessoal em que o repasto principal foi uma caracolada. O cozinheiro dos caracóis é sempre o N., é ele que comanda a cambada de caracóis dentro do tacho. E ele fá-los tão bem, mas tão bem que hoje não sobrou nem um!

 

De manhã fui à praça fazer compras para abastecer o frigorífico e realizar os meus sonhos de ontem. Ontem estava mesmo descrossoada e andei o dia todo a sonhar com 1 bola de berlim e um chocolate (não digam a ninguém mas morfei os dois ontem enquanto via TV... chlép!). E ainda sonhei com uns caracóis para a tarde de hoje! Na praça, assim que vi os rastejantes, já não sai de ao pé deles! Deliciosos!!!

 

Ainda dei uma volta pela feira propriamente dita e comprei uma mala mesmo fixe. Apesar de não parecer, o tempo frio qualquer dia está a bater-nos à porta, assim como a chuva. E esta minha nova malinha foi comprada com o intuito de ser usada em tempos de aulas e durante o tempo frio e chuvoso,embora ela seja para todas as estações.

 

Amanhã tiro uma foto e coloco aqui para vocês apreciarem a minha compra. Ah e vou limpar as unhas... não tou a gostar nada delas... :P

O Meu Irmão Odeia-me.

 

É isso mesmo. Gostava que assistissem à maneira como ele fala comigo. Raramente digo alguma coisa acerca da vida dele mas se o chamo à razão ou dou algum conselho que não lhe agrada, desata a gritar comigo cheio de raiva e ódio.

 

E as vezes que ele já me pôs fora de casa dos meus pais? Sim, eu sei que sou indesejada. Tenho a consciência de que acham que estou aqui a mais. Principalmente o meu irmão.

 

Depois arranjou uma namorada que é do género "não vou que me levam". A miúda é esperta mas só para o que lhe convém e mexer-se ou trabalhar, dá trabalho e faz "calos". Falta-lhe o empenho e a esperteza para ir à luta.

 

Está prestes a ficar na rua pois tem de sair do quarto onde vive até amanhã e ainda não mexeu o cu (desculpem a expressão) para arranjar outro. Saiu do emprego onde estava mas mexer os dedos e os pés para ir à procura de outro... dá muito trabalho. Eu e a minha mãe temos-lhe dado imensos anúncios a que ela não responde. Sem experiência de quase nada, com cem cães a um osso à procura do mesmo emprego, com um corpo nada atractivo, e com a falta de vontade e motivação para fazer alguma coisa, de que é que ela está à espera? Empregos caídos do céu são uma utopia, pelo menos para ela que nem é daqui.

 

Ainda por cima ela tem um orgulho imenso, não se lhe pode dizer nada que fica ofendida. Quem precisa, tem de baixar a crista pois se não fosse a minha mãe ela já tinha passado muita fome. E quando não se pode dizer nada a quem devia ouvir, diz-se sempre ao mesmo. É sempre o mesmo a ouvir. A pobre da minha mãe ouve cada coisa...! São pobres e mal agradecidos. Mesmo. E ainda nos mandam calar. Eu apenas respondo que só me calarei quando morrer e mesmo assim não sei. É ver o ódio a crescer...

 

My House Is A Living Hell.

 

Estou a viver no inferno. Foi nisto que esta casa se transformou. Sem fuga possível. Desde que o meu pai teve a paragem cardíaca, as coisas têm vindo a agudizar-se. 

Só faz porcaria, mente e aldraba. Faz-nos todos andar com os nervos à flor da pele. O pior é a minha mãe. São discussões diárias e ela anda com os nervos em frangalhos. Depois massacra-me a mim, repetindo as coisas vezes sem fim. Tenho imensa pena do meu irmão que é quem tem assistido in loco a muitas situações provocadas pelo meu pai. Eu vivo isto intensamente e em silêncio. Quantas vezes não desejo ser invisível ou ter o poder para me desfazer no ar...

 

Podem até dizer-me que eu posso "refugiar-me" um pouco destes probemas indo para a minha casa. Até pode ser, mas não resolve nada. Depois tenho a minha mãe a dizer-me que não tem ninguém que a apoie, embora ela me massacre diariamante com os seus relatos de situações. Que posso eu fazer, se acabo por estar envolvida nestes problemas familiares? Digo-vos que isto é insuportável.

 

Tenho chorado rios de lágrimas. Tenho o coração desfeito em mil pedacinhos. Sinto-me destruida ao ver que o meu pai não nos tem respeito nenhum e que, por mais que lhe tentamos incutir algum juízo e chamar à razão, ele despreza as nossas palavras. E ainda nos acusa de não estarmos ao lado dele... Pudera! Ele despreza a família em detrimento de tudo. Como podemos alguma vez estar do seu lado perante estas coisas todas? Como podemos estar ao seu lado se ele não tem feito mais nada senão prejudicar a família? Como podemos estar ao seu lado se ele eleva quem lhe faz mal? Como podemos estar do seu lado se é engrupido por todos e, mais uma vez, está contra a família por causa desta gente?

 

Só vos digo que esta situação tem estado a ser insustentável, surreal mesmo. E não passa jamais. Nem o tempo a faz melhorar. Não dizem que o tempo cura tudo?

 

Espero que não divulguem este pequeno segredo que partilhei convosco. Só vos contei isto para ver se aliviava mais um bocadinho o meu coração. Para ver se não saia de casa, mais um dia, com as lágrimas a saltarem-me dos olhos...

 

Efeito Espelho

  

Uma história tem sempre duas versões: a verdadeira e a de quem a vive.

 

As situações são sempre as mesmas, quase como se fossem dèja vu. E os protagonistas também não mudam. Vivem-se histórias rocambolescas e de confusão, trocam-se acusações e recriminações, perde-se o respeito e baralham-se hierarquias.

 

Quem manda perde o comando e quem não manda assume-o. Arrastam-se hostes de fracos de espírito que se convencem com mentiras provenientes de um mundo efabulado.As hostes julgam ter força para derrotar um grão de pó. E a hierarquia riposta, e tenta manter a sua cabeça altiva.

 

Narra-se um lado da história, conta-se o outro. E deparamo-nos com um espelho. Cada parte da história reflecte no seu antagonista.

E eu... eu sou uma mera vírgula que separa as palavras, que permite a pausa, que quebra o espelho.

 

 

Vilão?!

Tenho de confessar que já andava desconfiada...

 

Telefonemas suspeitos,

desculpas esfarrapadas,

movimentações nocturnas.

Trajes estranhos,

conversas em código...

 

Ora vejam lá se não chegam à mesma conclusão do que eu:

O meu Pimentinha (este aqui)

 

 

pertence a uma família de foras da lei e eu... NÃO SABIA!

 

Comparem lá as provas do crime...

 

          Pimentinha, o cowboy                              Lady Pimentinha

               (o meu dog)                                          (a mana do meu dog)

 

Metem respeito ou não metem?

 

 

 

A Minha Vida Não Me Pertence

                             

 

Existem vidas que não pertencem aos seus donos. Que os outros as “roubaram” por algum motivo e que os fizeram perder o poder sobre ela. Às vezes não se vive, sobrevive-se.

 

Conheço alguns casos que me deixam bastante tocada, principalmente porque os conheço de perto. A F. é a protagonista de um desses casos. A pouca vida que tinha, foi-lhe roubada muito nova. De aspecto pouco cuidado e com baixa auto-estima, sempre viveu para os outros: para os pais cruéis, para um irmão tirano e para um sobrinho abandonado.

 

Nunca teve direito a ser feliz, até agora, nem a ter uma vida própria ou um namorado. De repente, caiu-lhe o mundo no colo. Perdeu o emprego que tinha, desleixou-se fisicamente e a dificuldade para encontrar outro emprego tem sido grande.

 

O seu grande coração consegue abarcar uns pais que acham que ela é uma escrava e o filho do irmão que foi abandonado por ambos os pais. O irmão não se interessa pelo filho e nem contribui financeiramente para a sua criação. A F. tem tomado conta do sobrinho como se fosse o filho que ela não tem. E ainda por cima, a criança teve alguns problemas que implicaram gastos extras com médicos especialistas e terapeutas.

 

Sempre que o irmão vai a casa dos pais, ela é escorraçada da mesa. Vai comer para outro lado qualquer, como se fosse um cão. E os pais permitem isto; é a distinção entre filhos na própria casa.

Costuma dizer-se que há quem cuspa no prato onde come. Neste caso é cuspir em cima de quem lhes dá de comer.

 

Outro caso é o da I., uma mulher de 50 anos que deixou de viver a sua vida para tratar de uma irmã doente e de um pai velho.

Namorou muitos anos com um homem que ela amava e com quem pretendia casar e ser feliz na vida. As coisas começaram a correr menos bem e o peso da família a seu cargo começou a ser maior. O namoro acabou, bem como a vida dela.

Resta-lhe o trabalho e ir para casa tomar conta do pai e da irmã. Não tem uma amiga nem ninguém para ir com ela tomar um simples café. E é triste e tocante ouvi-la falar sobre isto, contar a sua própria história.

 

E agora pergunto eu: porque é que a vida tem de ser tão injusta? Quem tem o direito de impedir que se viva a própria vida? Podem dizer que são opções que se fazem mas eu não penso assim. São imposições, isso sim, pois não se tem escolha. Ou melhor, até pode haver escolha entre tomar conta ou abandoná-los à própria sorte, mas quem conseguiria viver de consciência tranquila?

E às tantas, quando nos apercebemos, a nossa vida já não pertence, são os outros que comandam a nossa vida. Vivemos em função dos outros e esquecemo-nos de nós, das nossas necessidades.

 

Tem de ser sair do trabalho e ir a correr para casa tratar da família; não há espaço para tomarmos um café e pormos a conversa em dia com uma amiga (e muitas vezes nem para cultivar amizades!); a liberdade de se dar uma volta e ter o prazer de comprar um livro ou algo que nos dê prazer é inexistente…

 

O importante aqui é não nos esquecermos de nós. Eu sei que é fácil falar mas também temos de fazer um pouco por nós. Não podemos perder o combóio da nossa vida! É que um dia os outros passam para outra dimensão e nós ficamos sozinho. E nessa altura, quem vai cuidar de nós?

 

 

 

O Baptizado

 

Domingo foi dia de baptizado. Confesso que a minha paciência para este tipo de cerimónias anda cada vez mais reduzido. Mas… noblesse l’oblige. Principalmente quando é alguém de família chegada.

 

Fui de ressaca da rinite alérgica para o baptizado (lembram-se que no sábado estava muito mal?), equipada com todos os medicamentos possíveis para me defender contra novo ataque e com o meu nariz todo em “obras”, graças ao assoanço e aos lenços de papel.

 

Não estava com pachorra nenhuma para grandes preparativos: não me pintei como me apetecia, os pés continuam com as bolhas (ihihihi), e faltou-me um acessório para pendurar ao pescoço, o vulgo colar.

 

A R. – a minha priminha – portou-se bem e tirou fotografias lindas pois é muito fotogénica. Andava linda e toda vaidosa no seu vestido de princesa. Mas uma das partes melhores foi aquela em que ela se virou pra mim e me disse:

 

“a mãe tem as mamas à mostra”

Parti-me a rir, claro. A mãe tinha um vestido com um decote nada ousado mas ela saiu-se com esta com o ar mais sério do mundo.

 

Depois foi a vez da minha priminha B., que é mais mando que eu sei lá o quê! Efeito do mimo… lol!

Estávamos na missa e ele tinha que se distrair com alguma coisa. Deu-lhe as fomes e atacou um pacotinho de bolachas, andou a correr de um lado para o outro a cuscar tudo, e andou nas cantorias religiosas.

Ela apanhava tudo ali na hora e depois virava-se para a minha mãe, com ar autoritário, e dizia: “canta!”

O pai também virou-se pra ela a cantar e ela disse-lhe logo “cala-te, tu não sabes cantar…!” Isto lido pode parecer-vos que é má educação, mas não é. É a maneira dela de falar que uma pessoa se farta de rir porque ainda por cima é sopinha de massa.

 

A comida foi muito boa. Foi para compensar a comida do casamento dos pais que foi um catering do pior que pode haver ao cimo da terra. Ah, mas este catering só foi superado pela “excelente” comida do casamento do meu primo M. com a Enjoadinha. Memorável. Um marco histórico na família!

 

Ainda consegui estar um bocadinho com a minha afilhada que mora duas ruas acima do restaurante. Lá veio ela e as suas “vergonhas” quando é uma chalupinha endiabrada. Levou 300 mil beijos e toda a gente disse que ela era linda, pois tem uns olhos grandes com pestanas grandes, reviradas e tem uma boca muito bonita. Todos diziam que ela era linda.

 

O dia foi terminado com a bênção da chuva. Talvez para arrefecer o calor que se fazia sentir e refrescar as mentes. Ou então já era um prenúncio do balde de água que a selecção iria levar…

 

P.s. – Aguardem o próximo post sobre o baptizado do meu afilhado… lol!

A Prenda de Natal mais Odiada… (Parte II)

 

Lembram-se do meu post A Prenda de Natal mais Odiada… ? Na altura em que escrevi este texto, nem sequer me atrevi a pensar noutra prenda que realmente causasse…

                                                                    Terror

                                                                                     Pavor

                                                                                                       Temor…

 

Existe outra prenda ainda mais temida que as caixinhas de chocolate. O chocolate tem apenas um senão: é hipercalórico e pode acrescentar uns pneuzinhos às nossas esbeltas figuras quando comido em excesso. De resto, é do melhor que há – docinho, saboroso, macio e capaz de colmatar algumas carências afectivas momentâneas (ou não!).

 

Lembram-se da minha prima R. que eu referenciei no post Hipocrisia Familiar? As suas prendas são as mais temidas por toda a família. Não se ponham já a imaginar que ela oferece algo nocivo ou envenenado. Não. É a sua incapacidade e inabilidade para fazer muitas coisas, a sua falta de imaginação, a sua desorganização, e os cifrões à frente do nariz que a fazem agir assim.

 

Somos quatro primas que sempre convivemos e morámos perto. E como é óbvio, na altura do Natal, sempre trocámos prendas entre nós. Hoje em dia, quem tem filhos, recebe prendas para as crianças mas quem não tem… Que é o caso da minha prima P. e o meu. Então lá recebemos nós um presentinho… não desejado!

 

Para nós, as receptoras dos famosos presentes não desejados, é um mistério a fonte onde ela os vai buscar. Ou são a custo zero da empresa onde trabalha, ou vêm da loja da mãe. Mas acredito que a primeira hipótese é a mais provável.

Tudo leva a crer que ela transformou estas prendas não desejadas em tradição. O N. andou a fazer balanço aqui em casa e nós, graças a ela, já temos seis! Sim, seis! Será que ela se esquece a quem oferece tal prenda?!

 

E agora perguntam vocês: mas que raio de prenda é essa, afinal? A prenda é… uma garrafa de vinho do Porto!!!! Aaaaaargh! I hate Oporto wine! Odeio vinho do Porto! Mas mesmo que gostasse, já estava abastecida de vinho do Porto para os próximos 50 anos! Eu não sou exigente com nada, muito menos com prendas, mas é preciso ter um pouco de bom senso! Seis garrafas?! Bolas! Já nem tenho espaço na garrafeira.

Ainda se fosse um Licor beirão… ou uma Amarguinha…

 

Percebem agora o receio que nós temos em receber prendas da R.? Que fazemos com tantas garrafas daquela coisa? Nós nem gostamos.. Oferecemos a outros? Hummm… não acho justo! Já pedi à minha mãe para dar um toque à minha tia mas ela recusa-se. E agora?! É que este ano recebi mais uma…

 

Natal em Balanço

 

Já nos encontramos no segundo dia após o Natal. Andámos que nem loucos durante algumas semanas a empenharmo-nos para comprar presentes, desesperámos em filas de espera, e atulhámo-nos em iguarias. e de repente.. Pufffs! O dia mais esperado do ano passa tão depressa, que quase não demos por ele!

Dei por mim pouco embrenhada na época natalícia. Não senti grande pressa para fazer a árvore de Natal, comprei as poucas prendas a horas de não me meter na confusão e comprei a matéria-prima para as iguarias natalícias calmamente, evitando as filas gigantescas.

O meu Natal foi passado na minha casa, em família. Éramos cinco gatos pingados a atacar o meu belo bacalhau e o meu borrego assados no forno, acompanhados de umas batatinhas deliciosas. Como eu não aprecio borrego, ataquei o bacalhau!

Chegou a parte dos doces... Ó valha-me Deus! Nem sei por onde começar... Fiz um bolo de chocolate com cobertura de chocolate e natas a pensar no meu irmão. Depois seguiu-se um doce maravilhoso à base de leite condensado que a minha tia Etelvina me ensinou a fazer. É de chorar por mais e este foi feito a pensar no N.. Por último, arrisquei fazer Baba de Camelo. A pedido do N., lá a fiz mas só provei uma colherzinha. Acho que tenho de voltar a fazer para aperfeiçoar uns pormenorzinhos... Como se isto tudo não bastasse, ainda havia um molotoff!

A minha mãe este ano esmerou-se nas filhós. Inovou nas tradicionais da sua terra, fez coscorões e sonhos! Para mim as melhores forma mesmo as da terra dela. Chlép!

Conclusão: tenho resmas de doces por aqui. Alguém quer vir aqui dar uma ajudinha para exterminar os doces de vez?

Depois daquela comezaina toda, resolvemos fazer algum exercício físico abrindo prendas. Ainda recebi algumas prendinhas. O N. ofereceu-me umas botas, a minha mãe duas camisolas o mano e o pai não ofereceram nada..lol! Mas receberam! Ah, e o N. também se auto-presenteou com uma máquina de café espectacular...

O meu dia 25 de há alguns anos para cá, tem sido sempre passado com a minha amiga S. que faz anos precisamente nesse dia. Costumava haver almoço e lanche em casa dela e era uma forma de estarmos juntas nesse dia.

Este ano resolveu não fazer nada. Diz que estava farta da hipocrisia familiar que se juntava à sua volta nesse dia. E, por isso, nem bolo de aniversário queria. É um direito dela que eu compreendo tão bem!

No fim das contas, festejámos o aniversário dela dois dias antes com uma jantarada aqui em minha casa.

Assim, no dia 25, eu e o N. abancámos a tarde inteira no sofá a papar todas as porcarias que deram na tv nesse dia. É que nem sequer nos apeteceu ir à procura de um café aberto para beber um café! Já para nem falar da chuvada que começou a cair... Só saímos de casa para o Pimentinha dar a sua voltinha e fazer as suas necessidades fisiológicas.

Foi assim passado mais um Natal em família.

 

Hipocrisia Familiar

Rockwell, Norman, A Family Portrait

 

 

Lembram-se daquele post em que eu vos contei que fracturei o pé no casamento da minha prima? Só não vos contei que toda a família se preocupou comigo menos ela. Não, ela não foi em lua-de-mel logo a seguir ao casamento. Por uma conveniência qualquer, só foi quase uma semana depois para as Maldivas. Mas isto é só para vos dizer que ela nem uma SMS me enviou a perguntar se estava melhor. Quando regressou, lá deu um saltito aqui a casa para ver como eu estava. Até porque agora parecia mal… Afinal a casa dela era na rua da minha mãe, do outro lado do passeio, 3 prédios acima.

 

Ontem veio aqui encomendar-me alguns produtos que eu vendo da Yves Rocher. Lá escolheu, o mais barato possível, e mesmo assim sempre a hesitar nos preços. Decidiu pedir um gel de banho, para uma prima nossa, cujo valor é de 2.99€. Até aqui tudo bem se ela fosse outra pessoa, já vão perceber porquê.

Estive a explicar-lhe alguns detalhes dos produtos e às tantas faz-me o seguinte comentário: “Não posso gastar dinheiro porque as coisas este ano estão muito más…” Deu-me um nojo descomunal, uma revolta nas entranhas mas mantive-me calada.

Então as coisas estão muito mal para ela que comprou uma casa de quase 50 mil contos e não vendeu a anterior, cujo marido ganha montes de dinheiro pois é dono de um gabinete de contabilidade, que tem a casa de solteiro do marido arrendada, que já comprou duas casas a pronto com o meu tio para alugar, que se abastece na mercearia da mãe a custo zero, que tem uma sogra que é um amor de pessoa e que não sabe o que fazer para agradar a minha prima por isso dá-lhe tudo, que é efectiva numa multinacional e não ganha nada mal?

 

Então que hei-de dizer eu?! Que andei de cavalo para burro, graças às sucessivas alterações dos concursos de docentes? Que suo as estopinhas em busca de emprego, que graças a Deus tenho conseguido à minha custa? Que tenho dois pais reformados com uma “fortuna” e a quem dou uma ajuda com o meu mini-ordenado? Que me farto de lutar, pois não me cai nada no colo, e nunca baixo os braços? Cinismo, não! Não suporto.

 

E ainda comentou comigo que não precisava de comprar muita coisa para oferecer pois a sogra o ano passado comprou prendas a dobrar para que a minha prima as pudesse oferecer, estão a perceber? Ou seja, a minha prima o ano passado não gastou dinheiro em prendas e este ano muito pouco. Nem em prendas nem em nada porque lhe dão tudo. Nunca precisou de fazer nada para ter o que quis. Sempre lhe caiu tudo no colo num estalar de dedos. Só é pena a minha prima ter tanto e não partilhar com os outros, ter tanto e ainda cravar os outros, ter tanto e ser tão somítica com tudo, ter tanto e não ajudar ninguém. Acha sempre que aquele cêntimo que gastou foi mal gasto nem que seja algo que ela precise para viver.

 

O cúmulo do cinismo e hipocrisia foi o aniversário da filha dela. Andou a espalhar aos sete ventos que não fazia nada no aniversário da filha por causa disto e daquilo (já não me lembro dos argumentos). A mim não me fazia diferença pois não fazia questão de ir, ia mais por uma questão de cerimónia e respeito pelos meus tios.

Vim a saber, depois, que fez uma festa de arromba na vivenda da sogra mas só convidou os amigos cheios de dinheiro, a família do marido e as tias ricas solteironas que um dia lhe irão deixar toda a fortuna. A ela e ao irmão pois são os únicos sobrinhos das tias ricas. Convém dar graxa também.

 

Acho que estas coisas são de muito mau gosto. Infelizmente, ela escolhe as pessoas pelo seu extracto bancário e pelo interesse que elas possam ter. Nós, as primas, pertencemos à parte pobre da família. Não nos enquadramos, economicamente, naquele meio. E ainda bem pois são só cromos horrendos e broncos.

Não gosto de fazer distinção entre pessoas nenhumas. Sempre que faço uma festa convido as minhas 3 primas direitas, com as quais fui criada (nas quais esta está incluída) e os meus amigos que são pessoas cultas, de mentalidade evoluída e muito bem educados. São pessoas afáveis, simpáticas e com quem se pode ter uma bela conversa. Não é o estatuto socio-económico que estabelece os laços de amizade mas sim a empatia, o amor e as vivências em comum.

Pronto, acabei o meu desabafo!